FÁTIMA FERNANDES | A
PRIMEIRA MULHER ELEITA PRESIDENTE DA CÂMARA EM ENTREVISTA EXCLUSIVA
(A BARROSANA - EDIÇÃO NOVEMBRO2025)
Pela
primeira vez na História do concelho de Montalegre, uma mulher foi eleita para
liderar a autarquia. Fátima Fernandes, cabeça de lista do Partido Socialista,
venceu as eleições autárquicas de 2025 com uma maioria expressiva, impondo-se
na esmagadora maioria das 25 Freguesias do concelho. Em entrevista exclusiva à Revista
A Barrosana,
fala sobre o peso da vitória, das suas prioridades para o mandato, e da
responsabilidade acrescida de representar uma nova geração de mulheres na
política local.
A Barrosana
(A BR): Senhora Presidente, como recebeu esta
vitória histórica?!...
Fátima Fernandes (FF):
Com
humildade e um enorme sentido de responsabilidade. É uma vitória do povo de
Montalegre, que acreditou num projecto
sério, coerente e voltado para o futuro. Sinto-me profundamente grata e
honrada. Sei que represento não apenas uma candidatura, mas uma esperança
renovada — especialmente das mulheres que durante tanto tempo ficaram afastadas
dos lugares de decisão.
A BR: O que significa para si ser a primeira
mulher eleita à presidência da Câmara?!...
FF: Significa uma ruptura
com o passado e um sinal de maturidade democrática do nosso concelho.
Montalegre é uma terra de gente forte, trabalhadora, que sempre soube vencer as
adversidades. As mulheres barrosãs, em particular, têm sido um pilar silencioso
dessa força. Espero sinceramente, não defraudar ninguém, sobretudo as mulheres
que vêm em mim um exemplo de coragem e de perseverança.
A BR:
A campanha foi dura, com uma oposição
particularmente agressiva. Como reagiu?!...
FF: Com serenidade. Sempre acreditei
que a política deve ser feita de ideias, e não de insultos. Houve quem tentasse
transformar a campanha num campo de ataque pessoal, mas a resposta veio das
urnas. O povo de Montalegre é inteligente, sabe distinguir a verdade da
demagogia. No final, prevaleceu o respeito, a verdade e o trabalho.
A BR:
Que prioridades traça para este mandato?!...
FF: A prioridade é clara: servir as
pessoas. Quero reforçar o investimento nas Freguesias, apoiar quem vive e
trabalha neste interior abandonado, melhorar as condições de vida, apostar na
habitação jovem, na mobilidade e nos serviços de proximidade. Montalegre tem de
ser um concelho com oportunidades para todos, sem que ninguém fique para trás.
Temos uma marca identitária fortíssima — o Barroso — e quero que ela continue a
ser sinónimo de autenticidade, sustentabilidade e orgulho.
A BR:
E quanto à relação com a Oposição?!...
FF: Espero que este novo ciclo sirva
para elevar o nível do debate político. A Oposição tem o seu papel e deve
exercê-lo com responsabilidade. O que não pode é continuar refém de discursos
negativos ou de alianças com populismos que nada acrescentam ao concelho. A
democracia é feita de pluralidade, mas também de respeito e cooperação. O meu
compromisso é governar para todos — sem excepção
— mas com firmeza e lealdade aos princípios que o povo sufragou.
A BR:
O que diria hoje às mulheres que a vêm
como um exemplo?!...
FF: Diria que nunca deixem que lhes
digam que não são capazes. Que tenham coragem de se expor, de participar, de
decidir. A política precisa de mais mulheres, não por uma questão de quotas,
mas porque precisamos de equilíbrio, sensibilidade e determinação. Se eu
consegui chegar aqui, é porque muitas outras antes de mim abriram caminho. A
todas elas, e a todas as que virão, deixo o meu reconhecimento e o meu
compromisso.
A BR:
Como gostaria que fosse lembrado o seu
mandato?!...
FF: Como um tempo de confiança e de
progresso. Quero ser lembrada como alguém que trabalhou com honestidade, que
não virou a cara às dificuldades e que nunca esqueceu as pessoas. O Poder para
mim, não é um privilégio — é uma responsabilidade. E é com essa responsabilidade
que pretendo honrar Montalegre todos os dias.
A BR:
Por fim, que mensagem quer deixar aos barrosões?!...
FF:
Que acreditem em Montalegre e na força da nossa terra. Que mantenham viva a
esperança e o orgulho de sermos quem somos. Este concelho é feito de gente que
não desiste, e eu também não desistirei. Continuarei de porta aberta, próxima
das pessoas, porque é assim que entendo o Poder Local: um espaço de diálogo, de
serviço e de verdade. Mas quero ir mais longe. Quero dizer a todos, dentro e
fora do concelho, que Montalegre não é apenas um ponto no mapa. É uma forma de
estar, é uma herança que se sente e se defende. Cada aldeia, cada rosto
envelhecido pelo tempo, cada jovem que regressa ou decide ficar, cada emigrante
que continua a chamar a esta terra "casa"
— todos são parte da nossa força colectiva.
Não
foi fácil chegar aqui. Nenhuma vitória nesta terra é fácil. Mas cada conquista
é fruto de um trabalho persistente e de um amor profundo à nossa gente. Por
isso, o apelo que deixo é simples: não
desistam de acreditar.
Acreditem que o futuro se constrói todos os dias com gestos pequenos, com
solidariedade, com trabalho sério e com respeito por quem pensa diferente.
Montalegre é grande, não pelo tamanho, mas pela alma. E é essa alma que eu
quero continuar a honrar — com verdade, com determinação e com a consciência de
que o Poder só faz sentido se for usado para servir.
E
deixo ainda uma palavra especial às mulheres barrosãs: que nunca se calem, que
nunca aceitem que lhes digam o que não podem ser. Este mandato é também vosso.
A história não se escreve sozinha e em Montalegre, ela será escrita, cada vez
mais com a vossa força e com o vosso nome.
A
BR: Se pudesse resumir o que sente neste momento em apenas uma frase, qual
seria?!...
FF:
Diria simplesmente isto: vale sempre a pena acreditar.
Porque quando se acredita com verdade, quando se trabalha com o coração e com
sentido de dever, Montalegre responde — responde com confiança, com orgulho e
com futuro. E é por esse futuro que aqui estou: para
servir, com alma e com coragem.